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Vínhamos da dissolução do Mrs Mary's e, até então, nada de novo havia sido criado por nós, exceto Domingos, que esteve compondo algumas músicas durante nosso período de recessão musical. E foi justamente a partir de uma destas composições que, chegando a minha orelha através de sua guitarra laranja em fevereiro de 1996, decidimos nos empenhar em uma nova banda, ainda sem nome. Nesta época, ainda ensaiávamos em um quarto ao lado da lavanderia da minha casa, antigo reduto do Mrs Mary's. O quarto, tão pequeno que mal cabiam a bateria e dois amplificadores. Mas estávamos acostumados com o espaço, e os vizinhos, com o barulho; por isto os ensaios continuaram a acontecer aí mesmo. Não demorou muito até que ingressassem na banda André Costa, irmão mais velho e antigo vocalista do Mrs Mary's, bem como Oscar Spigolon, nosso amigo de colégio. O entrosamento não foi difícil no que diz respeito a mim, Domingos e meu irmão, já que já havíamos tido experiências musicais juntos. Quanto ao Oscar, não minto, foi difícil. Ele era responsável pela segunda guitarra e pelo pistonino, mas mal sabia tocar ambos. Tudo acertou-se com o tempo e em um curto período já tínhamos dez músicas compostas. Domingos estava em uma fase muito produtiva, praticamente uma máquina de melodias. André e eu nos ajustamos na composição das letras. Mas ainda faltava algo muito importante: o baixista. Sempre tivemos problemas em achar um bom baixista aqui em Cerquilho. Aliás, talvez sejam raros os bons conhecedores do contra-baixo. Eu, particularmente, conheço poucos que estejam acessíveis e disponíveis. Por sorte ou destino encontramos aquele que condizia e até mesmo ultrapassava nossas expectativas: Robinson Bonventi. Antigo baixista do extinto Defeitos da Face, Robinson trouxe a maturidade musical que faltava à banda. Assim, com todos os cargos ocupados, registramos nosso primeiro trabalho em julho de 1996 a base de tortas de limão e merengue da Charlotte : o EP La Enfermidad. Foi também nesta época que a banda foi batizada de The Old Suit, nome inspirado em uma música que Domingos havia composto no período de entre-safras, e que foi criado o selo Gasoline Records. A previsão de lançamento do EP era para setembro daquele mesmo ano. Na sua expectativa, e sob os olhos do Justiceiro e de Rubinho, fizemos nossa primeira apresentação no local que hoje considero nossa casa: o extinto Pubb Rock Point, em Santa Bárbara D'Oeste. Infelizmente, houve problemas com a empresa fonográfica que havíamos contratado. O CD não saía do forno nunca. Este assunto nos aborreceu bastante até meados de 1997, quando então finalmente o disco chegou em nossas mãos, com alguns defeitos e imprecisões, é verdade, mas estava em nossas mãos. Neste meio-tempo, a banda se ocupou em divulgar sua música através exclusivamente de apresentações, que não foram poucas. Ganhamos o reconhecimento da imprensa local e Domingos mantinha contatos com bandas e fanzines do Brasil inteiro. Também foi em 1997 que fomos convidados a participar da coletânea Different Songs, organizada pelo Moonrise. Gravamos em novembro, desta vez sem tortas e merengues. Apenas umas poucas cervejas e muito chocolate nos abasteceram. Em dezembro deste mesmo ano fizemos uma viagem a Maceió. Era o Acendedor de Lampiões. Este tempo deixou saudades. Todos vermelhos do sol escaldante alagoano, cabelos louros oxigenados e munidos de berimbaus, maculelês e chapéus de cangaceiro. Uns permaneciam catatônicos, outros estrebuchando debaixo da boneca no Lampião. Tinham aqueles que insistiam em comer tapioca sem recheio e outros em colocar pimenta no sururu. A unanimidade era nas amizades: todos nós fizemos muitas. Veio 1998 e, com ele, a alegria de ter ao nosso lado um antigo amigo do Northampton Arms: Luís Urso. Luís assumiu a outra guitarra deixando, assim, Oscar livre para dedicar-se exclusivamente ao pistonino. A banda cresceu em número e ganhou em musicalidade. As guitarras a partir de então se entenderam como nunca haviam se entendido. Oscar inexplicavelmente começou achar os tons do seu sopro. No entanto, nem tudo era motivo de alegria. Os vizinhos, creio eu, estavam cansados de tanto barulho, e, por isto, resolveram reclamar. Tivemos que mudar o local dos ensaios e, daí em diante, não tivemos mais sossego neste aspecto. Sempre estávamos de mudança. A inconstância dos ensaios aliada à escassez de shows trouxeram prejuízos ao Old Suit. Era o começo de uma crise. Uma crise externa, se posso assim chamá-la, já que o relacionamento entre os integrantes da banda continuava inabalável. Na época, tínhamos cerca de 15 músicas novas, prontas para serem gravadas, mas nos faltava o dinheiro necessário. Em 1999 não houve grandes mudanças quanto nossas expectativas, principalmente no primeiro semestre. Os ensaios continuavam raros por falta de locação adequada. As apresentações, mais raras ainda. Hora ou outra aparecia uma festa de alguma amigo bem-intencionado ou coisa do gênero, porém nada muito promissor para nosso futuro e que tivesse remuneração suficiente para investirmos na gravação de nossas novas composições. Ocupávamo-nos, agora, com assuntos pessoais. Robinson com seus computadores em João Pessoa, Luís casando e tornando-se Daddy-O, Oscar atrás de trabalho na mansão, Domingos preocupado com vestibular, André e eu ocupados com as doenças humanas. Eis que no final do ano surgem novas oportunidades. Os convites começam a aparecer novamente, agora merecidamente remunerados. O problema dos ensaios aparentemente resolve-se por um milagre. As chuvas são um empecilho ainda sem solução, é verdade. Mas não percamos a esperança. Afinal, temos Fabulon. O ano de 2000 começou faceiro, com boas notícias para o Old Suit. O show com os Hermanos foi arrebatador. Oscar empunhou seu pistonino, como há muito não fazia, sensibilizado por uma estrela cintilante infectada. André travestiu-se de Belzebú e berrou para quem quisesse ouvir. Foi bom... e dá saudades. O resto do ano... bom, digamos que foi morno. As apresentações tornaram-se novamente escassas. Salvo festas esotéricas, nada de muito aproveitador. Atínhamo-nos mais em ensaair e compor novas músicas. Oscar? Sumiu. Mais tarde soubemos que estava ocupado com seu trabalho de conclusão de curso sobre cachorros e outros animais (corrija-me se estiver enganado, Oz). Embora morno, planos não faltavam. Planejávamos gravar algumas novas músicas, tirar novas fotos, inaugurar uma página na Internet para a banda, retomar os contatos outrora tão freqüentes... No fim, não fizemos nada disso. Os estudos e a distância impediram tanto eu quanto André da dedicação contínua ao Old Suit. Domingos cada dia mais atarefado com o vestibular próximo, Robinson com seus afazeres com o computador, Luís com as obrigações de um bom pai, a mudança de cidade... Tudo contribuiu para o evidente mormaço da banda. Mas finalmente as férias vieram, e com elas o tempo necessário para iniciar nossos projetos de 2001. Convocamos um antigo amigo nosso que se responsabilizou pela divulgação da banda pela Internet. O trabalho é árduo, e ele também tem outros afazeres, por isto tal tarefa ainda está inconcluída. Voltamos ao Moby Dick, desta fez com mais recursos, graças ao nosso bondoso Celso, e gravamos um novo EP, ainda com o nome provisório de "Terno Velho". Na verdade, é um Ep demo, assim como o "La Enfermidad". Desta vez, apenas quatro músicas foram gravadas, uma delas com duas versões (em português e em inglês), assim totalizando cinco faixas. Ainda no início deste ano, até agora promissor, Gastão Moreira nos surprendeu com um telefonema inesperado e nos convidou a participar de seu programa na Tv Cultura, o que deve acontecer em breve. Foi feito ainda o convite ao Old Suit para apresentações em Juiz de Fora e Ubá, em maio próximo, acompanhando a mineira Verbase e o carioca e bauducco Zumbi do Mato. Fabulon tarda mas não falha, não é, Joselito? Como sempre as coisas se enrolaram. A apresentação em Minas Gerais acabou acontecendo apenas em Ubá. O mais importante: em uma fábrica de charretes. Estupendo! Oscar, como de costume, sumiu. Não sabemos se está na Bósnia ou no Tibet. O Musikaos ficou para agosto, junto com Marcelo Nova. Já o Cd, o título será mesmo "Terno Velho", e vocês não perdem por esperar.
Dario
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